Carta aberta à Srª Dª Margarida Rebelo Pinto

Hey hey everyone! 

I’m sorry to be writing this in Portuguese (I will be sure to translate it into English either on the end of this post or in another one), but this is an Open Letter commenting a text I read yesterday about “curvy” girls and their behavior in the Portuguese society. And please do realize it is filled with sarcasm. (Just in case you didn’t get it =P)

Carta aberta à Srª Dª Margarida Rebelo Pinto:

Após ter lido com bastante atenção o seu “artigo de opinião” de 17 de Setembro de 2010 intitulado “As gordinhas e as outras”, publicado no site do semanário Sol, tenho que lhe expressar as minhas preocupações e algumas questões:

Como é que eu só agora li este texto, não compreendo. Não consigo explicar também como, sendo eu própria gordinha, fui capaz de viver a minha vida toda desconhecendo a existência de tal “código de conduta” das Gordinhas.

Após ler o seu artigo apercebi-me de que não faço justiça às Gordinhas de que a senhora  diz que existem! Afinal de contas:

  • sempre fui bastante feminina;
  • asneiras são coisa que eu não digo;
  • tenho peito, ancas e uma cintura pequena, tendo por isso bastante formas e nunca me foi dito por um homem que sou pouco apetecível;
  • vodka é coisa que não consumo (nem uma e muito menos sete!) e nunca tive um dos meus amigos masculinos a “meter-se” comigo “nas supracitadas funestas circunstâncias”;
  • Dificuldade em arranjar namorados foi coisa que nunca senti na pele!

Como pode ver, parece-me que não tenho estado a par das condutas sociais que são esperadas de nós Gordinhas e estou bastante preocupada com isso, afinal de contas que será da minha vida se não me comporto como deveria, não é?

Por outro lado, preocupa-me também que uma pessoa tão educada como a Margarida (que até se lincenciou no mesmo curso que eu estou a tirar!!!) esteja a frequentar sítios onde pessoas se comportam da maneira que descreveum, e cito, a:

 “dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras e consumir outras substâncias igualmente propícias a estados de euforia, podem inclusive fazer chichi de pernas abertas num beco do Bairro Alto porque como são ‘do grupo’ toda a gente acha muita graça e ninguém condena”

É que, nos sítios que eu frequento, comportamentos desse calibre são coisa que nunca vi serem tolerados (vindo eles de Gordinhas ou Esqueléticas!) E ainda, talvez não esteja a par, mas apontar o dedo para chamarem alguém de “leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca” é algo que tanto as “giras” como as “Gordinhas” fazem!

E agora deparo-me com uma das maiores questões da minha vida! É que, segundo o seu artigo, apenas as miúdas giras são mulheres! E agora? Afinal, onde me encaixo eu? E tantas outras Gordinhas que toda a vida achavam que eram mulheres? Já para não dizer que afima que 

Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque conquistou um inexplicável estatuto de impunidade.”,

Então e todas as mulheres giras que eu vejo a comportarem-se de forma chocante, a dizerem palavrões, beberem demais e a terem comportamentos como os que descreveu no seu artigo?

Tenho a dizer que este artigo me levantou mais perguntas do que as respostas que me deu. Acabei de o ler confusa e sem saber onde me encaixo afinal na sociedade de hoje em dia. Eu, que pensava estar no bom caminho, que me comporto como penso que uma mulher se deve comportar (seguindo até conselhos de grandes mulheres como Audrey Hepburn ou Grace Kelly) encontro-me sem saber afinal de contas que comportamentos devo ter, ou até se tenho o direito de seguir conselhos das senhoras mencionadas acima, visto que elas faziam parte das “giras” e não das “Gordinhas”!!

Devo ainda dizer que ao ler o seu artigo fiquei com a sensação de que a Senhora Dona Margarida Rebelo Pinto despreza um pouco as Gordinhas (mas só um pouco!!) e estou curiosa em saber se tal é o caso e porquê! Teve algum confronto pessoal com uma Gordinha? Talvez seja algo que aconteceu na infância ou talvez algum rapaz por quem tinha um fraquinho se tenha decidido pela Gordinha em vez de se decidir por si…. 

De qualquer das formas, penso que devia trabalhar nisso! É que ser rancorosa e ter essa (pequenina, muito pequenina) raiva dentro se si dá rugas! E eu penso que rugas é algo que a senhora não quer ter, deixaria de ser “gira” e lá teria a Margarida que escrever outro artigo a dar-nos a conhecer outra classe social e isso daria trabalho! E daí, talvez lhe saísse mais barato recorrer ao botox….pelo menos poupava nas dores de cabeça que tal artigo lhe daria!

Atenciosamente, 

Rosie von Waldherr

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8 Comments

  1. Anonymous
    Saturday August 25th, 2012 / 08:12 PM

    Adorei a sua carta aberta cara Rosie! Muito bem mesmo, aplaudo de pé! Já era altura de alguém dar um parecer da sua mente àquela pessoa!

    Maria João

  2. Filipa
    Saturday August 25th, 2012 / 10:25 PM

    Subscrevo totalmente! Não poderia ter dito melhor!

  3. Sunday August 26th, 2012 / 06:54 PM

    Muito obrigada =)

    xoRosie

  4. Sunday August 26th, 2012 / 06:56 PM

    Obrigada! Ainda bem que gostou =)

    xoRosie

  5. Monday August 27th, 2012 / 10:05 PM

    Eu também já tinha visto essa e achei bastante bem escrita!! =)

    Obrigada pelo seu comentário!!

    xoRosie

  6. Tuesday August 28th, 2012 / 09:02 PM

    A quem o dizes!! Quando li aquilo não sabia se havia de rir ou chorar!!!

    xoRosie

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